Kariri Xocó - AL


Localizados na região do baixo São Francisco, entre as cidades de Porto Real do Colégio (AL) e Propriá (SE), os Kariri-Xocó tem suas terras já declaradas pela FUNAI como área indígena e demarcadas fisicamente desde 1993, mas seguem em luta contra posseiros e fazendeiros que ocupam ilegalmente o território. Dos cerca de 5 mil hectares demarcados, apenas 700 estão regularizados. O restante da área está na mão de 8 fazendeiros.

Os Kariri-Xocó aguardam desde outubro de 2014 a tramitação na justiça de um recurso contra uma liminar de reintegração de posse que favorece os fazendeiros - a terceira que sofrem, as duas primeiras foram executadas e cumpridas. Estão mobilizados em diversas ações para pressionar a Funai e a Justiça Federal para o cumprimento da demarcação, bem como para garantir a integridade física, moral e política para o povo indígena acampado nestas terras.

Nos dias 13 e 14 de julho, ocuparam a BR-101, estrada intermunicipal que passa pelo território indígena, em manifestação contra a morosidade da Justiça Federal. Conseguiram uma reunião com representantes do governo do estado, que aconteceu no dia 18/7, para tentar dar seguimento ao processo.

Os Kariri-Xocó são fruto da fusão de vários grupos tribais depois de séculos de aldeamento e catequese, em especial a ocorrida há cerca de 100 anos entre os Kariri de Porto Real de Colégio e parte dos Xocó da ilha fluvial sergipana de São Pedro, os quais buscaram refúgio junto aos Kariri quando tiveram suas terras aforadas e invadidas, ao serem extintas as aldeias indígenas pela política fundiária do Império.

Sua cultura foi longamente perseguida e reprimida, o que levou à dissolução de seus costumes e à quase extinção de sua língua. Contudo, mantém a tradição dos seus cantos e danças (o toré) e o Ouricuri, ritual para o qual se reúnem durante alguns dias do ano num espaço ancestral e sagrado. Atualmente, estima-se que na aldeia há cerca de 300 famílias, totalizando 3.000 pessoas.

A luta dos Kariri-Xocó pela terra é secular. Há relatos de um documento deixado por D. Pedro II que já garantia a reserva de seu território. Durante séculos, parte dele esteve sob guarda dos jesuítas, em aldeias missionárias que foram extintas em 1873 pelo Ministério de Agricultura, Comércio e Obras Públicas, sob alegação de inexistência ali de "índios de raça primitiva". 

Desde então, as terras estiveram sob poder do Estado e na década de 70 passaram a ser administradas pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), quando da instalação da barragem de Sobradinho, que inundou parte da área e alterou as estruturas fundiárias de toda a região. Em 1978, é retomado pelos índios parte deste território, correspondentes à Fazenda Modelo, que continha terras do Ouricuri. Este fato trouxe um movimento de revitalização e reformulação positiva de sua identidade.

Há cerca de dois anos existe a Rede de Apoio ao povo Kariri-Xocó, uma rede pública que reúne professores, estudantes da Unicamp, artistas e outros interessados na causa, para apoio ao povo indígena Kariri-Xocó na retomada do seu território e na preservação de sua cultura tradicional e direito sagrado. A rede é contra a PEC 215, que transfere do Executivo para o Legislativo as decisões sobre a demarcação de terras indígenas.

 Vídeos Festiclown

https://vimeo.com/175109268

https://vimeo.com/174330835

 

Mais informações:

Web: www.karirixoco.com.br/

Faceboook: Rede de Apoio ao Povo Kariri-Xocó

Twitter: https://twitter.com/redekaririxoco