Semeando risos para fortalecer a luta - Festiclown no MST


09/08/2016

Semear risos e cultivar sonhos através da arte do palhaço e do circo, usando o humor como ferramenta potente ao processo de luta político-social. É o que vem fazendo a caravana do Festiclown pela Terra em assentamentos do MST do Rio Grande do Sul. Organizado pela rede internacional de circo social Pallasos en Rebeldía, é um festival em apoio à luta pela democratização da terra no Brasil. De 2 a 11 de agosto, leva seu apoio à da luta do MST com oficinas e espetáculos.

Entre os dias 2 e 6, integrantes da Juventude do MST participaram de uma oficina com artistas das companhias Cia Traço, de Santa Catarina, Circo no Ato, do Rio de Janeiro, e o palhaço espanhol Ivan Prado, porta-voz internacional do Pallasos em Rebeldía. Foram cinco dias de convivência, aprendendo acrobacias, malabarismo e criando números de palhaçaria. O resultado desse processo é um espetáculo que está sendo apresentado nos assentamentos de Tapes, Encruzilhada do Sul, no acampamento de Charqueadas, e em Viamão, nas escolas Fatima e Rui Barbosa e na aldeia indígena Guarani.

“Para a oficina, selecionamos 15 jovens do MST (8 do Rio Grande do Sul, 4 de Santa Catarina e 3 do Paraná), que já desenvolviam alguma ação como palhaços ou que tinham vontade de aprender. A ideia é que eles sejam multiplicadores do que aprenderam nas suas regiões, para formar palhaços de luta, usando a palhaçaria para divulgar a nossa militância no campo e na cidade e envolver a juventude que ainda não está engajada”, explica Dioni Sommer, representante do setor de Cultura e Comunicação do MST – RS.

Paola Masiero Pereira, representante do setor de Cultura e Comunicação do MST – SC, ressalta a importância de realizar atividades artísticas e culturais nos assentamentos. “O palhaço tem uma relação muito forte com toda a comunidade – Juventude Sem Terra, Sem Terrinha, adultos – e isso é muito potente. Assim, promovemos também o direito à arte e à cultura no campo, que está muito distante dessa realidade cultural. A cultura e a arte agregam muito ao debate político e para a formação da consciência. O movimento decidiu apostar nas linguagens artísticas para organizar a classe trabalhadora, e essa é uma decisão política importante”, enfatiza.

“Na Juventude, estamos investindo no clown como ferramenta de agitação e propaganda. A oficina nos ajudou a amadurecer mais essa vivência do que fazíamos de maneira mais intuitiva no nosso dia-a-dia da luta”, conta Roan Teixeira da Silva, jovem do pré-assentamento Pe. Josimo e coordenador da frente Agitclown da Juventude do MST. Ele forma a dupla de palhaços Pipoca e Quente, ao lado de Marcio Moreira Paz, do assentamento Wilmar Bordim, de Quedas do Iguaçu. “Aqui entendemos a verdadeira essência do clown, ligação com o público que se dá pelo olhar e a energia que faz provocar o riso”, conclui.

O Festiclown pela Terra segue até 30 de agosto. Já passou pela retomada das terras Kariri-Xocó em Alagoas, e segue sua caravana aos Guarani-Kaiowás e Terenas no Mato Grosso do Sul (de 15 a 22/8) e os Guaranis em Santa Catarina (25 a 27/8).

A finalidade do festival é disseminar esperança e alegria, levando uma mensagem de solidariedade e compromisso a todas as pessoas que hoje, no Brasil, dedicam sua vida por um mundo mais justo e solidário, onde caibam todos os mundos.

Para Ivan Prado, porta-voz internacional dos Pallasos en Rebeldía, “um mundo sem justiça é um mundo triste. Hoje, mais do que nunca, se faz necessário o nosso trabalho como guerrilheiros do amor, para que nunca mais ninguém careça de um pedaço de terra para cultivar seu digno alimento, para que nunca mais nenhum ser humano seja privado de seu direito inalienável de ser feliz”.

 

Pallasos en Rebeldía é uma rede internacional de grupos artísticos que promovem a fraternidade entre os povos através da arte, combatem culturalmente ao lado das coletividades que fazem frente a este sistema global de terror usando a magia do Circo, e que apostam por uma humanidade mais bela e mais justa a partir do universo do palhaço. Das favelas do Rio de Janeiro, a comunidades indígenas zapatistas do México, e acampamentos de refugiados na Palestina, Argélia e na Europa.